Stayce Fernandes - Relato de um parto no controle de Deus

 

Stayce Fernandes, 33 anos, nos conta sua luta para realizar seu tão sonhado desejo de ser mãe.

Na 36° semana de gravidez comecei a a perder um pouco de líquido e sentir muitas fisgadas na parte interna da coxa. Por precaução decidimos ir ao HMIB- hospital materno de referência de Brasília pra saber se estava tudo bem. Na triagem, minha pressão deu alterada e por esse motivo a médica que me atendeu pediu exames de sangue e urina. Quando o resultado saiu já tinha havido troca de plantão e fui atendida por outro médico que me informou que eu estava com pré-eclampsia.      A partir daí foi-me receitado o metildopa (remédio para hipertensão) para controle da minha pressão arterial. Voltamos pra casa e iniciei a medicação. No início comecei a sentir que o remédio me deixava calma, tranquila, "zen" e considerei normal por ser um remédio indicado para pressão. 

 Na semana seguinte (37° semana), notei novamente saída de líquido e as dores no interior da coxa continuavam e como eu teria que voltar ao hospital para repetir os exames de sangue e urina aproveitei para relatar isso ao médico que me atendeu. Foi feito exame de toque e constatado que o útero estava intacto. Então ao receber os exames fui dispensada para voltar para casa e continuar com a medicação.
Na semana seguinte (38° semana), especificamente na segunda-feira dia 19/04, estava sentada conversando com meu marido quando senti taquicardia e o escurecimento das vistas. Neste momento tive a minha primeira síncope e quando recuperei os sentidos notamos uma quantidade enorme de água no chão, era a minha bolsa que havia se rompido. Corremos desesperados para o HMIB. Durante a triagem outra síncope. O enfermeiro muito solícito correu pra chamar meu marido, arrumou uma cadeira de rodas e me colocou pra ser atendida com urgência. Relatei ao médico tudo que havia ocorrido nas últimas semanas, fizemos um novo toque e descobrimos que ainda não havia nenhuma dilatação.                                                                                             

Fui internada para observação. Durante a madrugada começou uma discussão de que meu atendimento (parto) não poderia ser feito ali por causa da região da minha residência. Primeiro foi indicado que eu deveria ir ao HRT e posteriormente foi decidido que o hospital de referência seria o HUB.                                Agora a nossa maior preocupação era o tempo da bolsa rota. Lemos bastante durante a madrugada e vimos que o IDEAL é que o parto seja realizado em até 24 horas, mas que existe a possibilidade de ser feito em até no máximo 48 horas com risco de infecção para mãe e bebê. Chegou a ambulância fui removida para o HUB.                          

 Nova triagem, novamente explicação de tudo que havia ocorrido, nova internação. Chegando lá fomos bem recebidos, internos bem atenciosos, mas como de praxe se tenta primeiro o parto normal. Começamos a primeira indução, NADA de dilatação, seis horas depois a segunda indução, novamente NADA de dilatação, de madrugada a terceira indução e mais uma vez NADA de dilatação ou contração. Nos preocupamos com o tempo, chamamos um dos internos, explicamos a situação, o tempo de bolsa rota e o mesmo apenas nos disse que os batimentos cardíacos do bebê e minha pressão estavam bem e que não havia motivo para nos preocupar porque estávamos bem assistidos.


Não discordo disso, havia realmente uma equipe competente que estava de tempos em tempos monitorando, nossa ÚNICA preocupação era o tempo. Amanheceu, uma nova indução e novamente NADA de dilatação, apenas cólica e contração. Nesse meio tempo já estava sendo medicada com antibióticos para evitar possível infecção. Cada minuto que passava para nós era uma eternidade. Graças a Deus houve troca de plantão e uma nova médica prestou atenção ao nosso caso. E antes mesmo da próxima indução ela chamou um ginecologista e pediu que fosse feito um ultrassom. O médico ficou em silêncio por um momento e perguntamos como estava a bolsa, para nosso desespero o líquido havia ACABADO.


Ele saiu, explicou para a médica a situação e ela veio até nós para explicar que a cesárea seria agendada para o próximo plantão e que meu jejum começava a partir dali. Foram as piores horas da nossa vida, não porque não confiamos em Deus ou na equipe médica, mas porque era a vida do nosso filho em jogo. Quem é pai e mãe sabe o medo que passamos ali. Naquele instante chorei, vieram tentar nos acalmar, mas isso com certeza não nos tranquilizou. Foram as horas mais difíceis e mais longas das nossas vidas.


"Só uma mulher é capaz de pôr um homem de joelhos através do mais original empoderamento feminino: a gestação".
(Sandro Tubini)



Graças a Deus chegou a troca de plantão. O momento esperado por nove meses estava perto de acontecer. Depois de muita tensão e escolha de prioridades por parte dos médicos ( visto que eu não era a única grávida que faria a cesárea) eu fui escolhida devido ao meu quadro a ser a primeira a entrar na sala de cirurgia. Outro momento de tensão para nós, os dias passados haviam sido muito difíceis e assustadores. Enfrentar uma cirurgia depois de várias síncopes nos deixou apreensivos, pois não sabíamos ao certo o porquê daquilo ter acontecido. Cesárea é uma cirurgia e como toda cirurgia há riscos e isso naquela altura do campeonato tinha um peso absurdo em nossos pensamentos. Enquanto estava sendo anestesiada eu orava e pedia a Deus que as mãos Dele guiasse as mãos dos médicos. Eu orava ali e meu marido orava ao lado aguardando o anestesista finalizar. Meu marido entrou e a cirurgia começou.
A todo momento buscávamos o olhar um do outro enquanto prestávamos atenção no som do meu coração emitido pelos aparelhos. Acredito que tanto para mim quanto para ele esses minutos foram de intensas orações e intercessões. Finalmente ouvi o choro do meu filho, não me contive e chorei junto. Chorei de alívio, chorei de agradecimento, chorei de tanto amor que pulsava em meu peito. Chorei de medo e chorei porque até ali Deus nos ajudou. Ebenézer

GESTAÇÃO

Vai falar baixo o coração
Já são muitas luas
Neste calendário da vida

Assim não posso dizer
Nenhuma verdade
Somente aquela que trago
A de poeta e não de profeta

O profeta anuncia uma verdade maior
O poeta anuncia uma verdade menor
Um diz: " Eu vos trago a Verdade".
O outro: eu trago a minha verdade.

E assim vamos verso a verso
Fazendo a criação...
Pois uma gestação é como um poema
Que compõe versos de vida. (Bartolomeu Assis Souza)


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