Amamentar, um gesto de amor e não de vergonha

 Em pleno século XXI, a amamentação deve ser vista como algo natural e normal pela sociedade. Sensualizar esse ato é violar o direito de uma mãe alimentar seu filho.

A amamentação é um vínculo de amor entre mãe e filho. O ato de amamentar, não deveria ser enxergado como tabu nos dias atuais, em que o próprio governo investe tanto em campanhas de incentivo à amamentação, já que é comprovado cientificamente que crianças que se amamentam até os dois anos de idade tornam-se adultos mais saudáveis, com maior imunidade e menos riscos de ficar doentes.                  A amamentação é algo tão natural e fisiológico que o corpo da mulher se prepara durante toda a gestação para que isso ocorra após o parto. O leite materno é o melhor alimento para o bebê até os seis meses de vida, tanto que somente ele é necessário para o novo ser humano se alimentar, crescer e ganhar peso.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a amamentação pelo menos até os dois anos de vida da criança, tendo em vista os inúmeros benefícios que o leite materno proporciona.


Natural e necessária, a amamentação não deveria ser um assunto tão polêmico em pleno século XXI. Porém, ainda existem muitos julgamentos em relação a isso. Recentemente, a atriz global Ísis Valverde postou em suas redes sociais uma foto em que amamenta o filho e choveu de comentários maldosos. Um portal de notícias, se é que se pode chamar assim, teve a coragem de publicar a foto da atriz com uma legenda absurda, sexualizando o ato de amamentar. Só uma mente muito doente tem a capacidade de ver uma mãe alimentando seu filho e achar que aquilo tem algo de sexual ou até mesmo sensual.

Por conta disso, muita gente acaba preferindo ir amamentar seus filhos dentro de banheiros ou até mesmo em locais escondidos, caso não haja, cobre toda a criança com um pano para esconder algo que não deveria ser visto como errado, mas sim, como normal. 


Eu, particularmente, antes de me tornar mãe, achava meio exposto demais o ato de amamentar em público, não porque considerava feio, mas porque sempre fui muito tímida em relação a mostrar o meu corpo. Sempre pensei em usar uma fralda em locais públicos para que ninguém visse meus seios de fora, mas meu filho odeia qualquer pano em cima dele. Então, mesmo que eu coloque só na lateral ele puxa e joga longe. Ou seja, não tem como tapar nada, quando vou amamentar, independente de onde eu esteja, tiro o peito e dou pra ele na maior naturalidade.

Durante 1 ano e 4 meses, só me senti constrangida uma única vez. Fui amamentar na praça de alimentação do shopping e vi que um homem ficou olhando de forma estranha para mim, percebi que ele olhava com maldade, como se estivesse achando aquilo sensual. Fiquei muito incomodada e mudei de lugar.


Eu sempre amamentei meu filho na frente de todo mundo e nunca tinha passado por isso. Só tenho irmãos e, apesar de viver rodeada pelo sexo masculino na minha família, sempre me senti super à vontade em relação à amamentação, todos acham natural e é natural.

Esses tipos de situações não deveriam acontecer. Ainda fico de cara com algumas coisas ligadas à amamentação. Inclusive, com os palpites negativos acerca da “idade certa” de desmamar os nossos filhos.

Acho que cada mãe sabe a hora certa de dar fim à amamentação. Algumas optam por parar mais cedo, às vezes pelo cansaço que esse ato trás, algumas por já acharem suficiente ou por quererem mais liberdade, outras pretendem amamentar enquanto puder, independente da idade.


Acredito que essa é uma decisão muito pessoal e ninguém deve interferir sobre isso.

Na consulta de 1 ano e 3 meses do meu filho eu fui obrigada a ouvir da enfermeira que ele já estava grande demais para mamar. Ouvi ela falar com deboche que eu era muito corajosa em querer amamentar meu filho até os dois anos e que dar de mamar até um ano é mais que suficiente. Questionei, até porque o governo investe tanto em campanhas de incentivo à amamentação e ela, como profissional da saúde, deveria ser uma das primeiras pessoas a incentivar esse ato. Interrompi ela e deixei bem claro que vou amamentar meu filho enquanto eu achar necessário, pelo menos até os dois anos e depois, se der pra continuar mais um pouco, continuarei. Sai de lá e nunca mais voltei.




Hoje, meu filho tem 1 ano e 4 meses, parece ser maior por ser bem desenvolvido, e continuo amamentando, principalmente à noite, horário que ele mais quer mamar, acho que pelo aconchego e segurança. Ele come super bem, daria para tirar o peito agora se eu quisesse, mas não quero. Acho importante ele mamar pelo menos até os dois anos e me sinto plena e feliz em amamentar o meu filho. 
Para mim, cada olhar e cada carinho durante as mamadas me dão a certeza de que esse vinculo entre mãe e filho é repleto de amor e pureza e só faz bem a nós dois. Por isso, amamento em qualquer lugar e posto foto amamentando sim  e não tenho vergonha nenhuma  desse gesto de amor.

Comentários

  1. Fizemos um tbt da matéria da nossa amiga Jurana Lopes sobre quebrar o tabu da amamentação em publico. Essa matéria foi muito legal e trouxe muitos esclarecimentos sobre o ato de amor.

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  2. Concordo plenamente com você Jú, pois é uma decisão pessoal e de suma importância para a mãe e a criança...definiria amamentar como um ato de Amor 😍Parabéns.

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  3. Obrigado Ana Patrícia pelo comentário, precisamos combater esse tipo de atitude, não só da amamentação em público e do tempo de amamentação da criança, mas das diversas situações que envolvem o corpo da mulher. Desde já deixo o espaço aberto para qualquer manifestação sobre temas do universo feminino.

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